ORÇAMENTO DE OBRAS SEM SEGREDOS (simples e fácil) - parte 3

By | quarta-feira, outubro 13, 2010 Leave a Comment
Em sua opinião, para que serve o orçamento de uma obra? São várias as finalidades possíveis, tais como:
  • apresentar propostas e contratação de obras por preço fechado;
  • o  planejamento executivo;
  • definição da planilha orçamentária do contrato;
  • a contratação de mão-de-obra própria e de serviços terceirizados;
  • o Setor de Compras programar, cotar e efetuar seus serviços;
  • permitir perceber distorções de preço em relação às previsões de orçamento, a tempo de serem corrigidas; e
  • permitir avaliar o estágio atual de execução da obra.

Abaixo, elenco um roteiro que ajudará você a orçar uma obra.
a) verificar os projetos, editais e ler com atenção os memoriais, anotando:
  • a data prevista para a entrega da proposta ou do orçamento para o cliente;
  • a forma e local da entrega da proposta;
  • os documentos exigidos para a habilitação, se for licitação, bem como data e forma de pagamento e a data limite para dirimir dúvidas;
  • ainda, no caso de licitação, a data, local e forma da visita à obra (se obrigatória, opcional, se será fornecido atestado, se a pessoa visitante tem que ser engenheiro);
  • o tipo de concorrência (se por preço unitário, valor global ou administração);
  • conferir documentos listados fornecidos com o edital; e
  • verificar dificuldades de preenchimento das planilhas e demais documentos técnicos.

b) pegar todos os detalhes e analisar como se fora executar a obra virtualmente. Identificar os acessos para entrada de equipamentos e prever a logística de abastecimento e manutenção da obra. Verificar o terreno, quantificar e identificar as dificuldades de escavações e aterros, escoramentos, interferências com construções adjacentes, bota-foras, etc. Nas fundações, em função das sondagens quantificar os diversos tipos especificados pelos especialistas e pré-dimensionar as quantidades a serem executadas em solo e em rocha, a seco ou com presença de água, as rasas e as profundas. No projeto estrutural identificar e quantificar as necessidades de emendas das barras de aço, tipos de aço, quais necessitam dobras, quais vão inteiros para a obra.  Estudar os projetos elétricos, hidráulicos e de drenagem.

c) ao mesmo tempo em que executa os estudos do item b, anotar e solicitar os preços de maior demora de fornecimento, tais como:
  • Aços planos, laminados e soldados.
  • Tintas industriais
  • Equipamentos especiais, tais como: ar condicionado, exaustores, venezianas industriais, esquadrias especiais, grades de piso em aço, etc.
  • Serviços de terceiros.

Estes preços têm que ser solicitados de imediato, mesmo com quantidades rapidamente estimadas, porque a demora de informação dos mesmos ultrapassa normalmente dois dias. E assim mesmo a cobrança deve ser diária até tê-los em mãos. Se sua empresa não tiver estrutura o próprio orçamentista poderá fazer este trabalho.

Agora podemos concluir que ao fazer este estudo preliminar o orçamento já visualizou toda a construção da obra, detectou pontos críticos de execução, dificuldades de aquisição de materiais e serviços. Enfim, tem-se uma idéia de como será a obra. Ao orçar, como anotado acima no item a, devemos verificar qual a modalidade de contratação da obra se por preço global, por preço unitário ou por administração.

Lembram-se dos custos diretos e indiretos. Pois bem, agora iremos utilizá-los!

Segundo Manoel de Campos Botelho, temos dois aspectos para custos: um para o contratante e outro para o executor. Para o contratante custo é o valor da obra. Portanto, é o valor final que ele pagou para ter a obra pronta para o uso.

Para o contratado é o valor que ele pagou aos seus empregados, materiais, aluguel de equipamentos, aluguel do escritório, contador, secretária, office-boy, impostos, etc.

Lucro: é o que permite executar as tarefas acima descritas e ainda aumentar o capital, pois a quantidade de capital é primordial para a confiabilidade de garantia do vulto de obra, e também na garantia de compra de produtos e equipamentos. Também do lucro é que saem os dividendos para os sócios ou acionistas, que empregam o dinheiro para estabelecer uma empresa. Por esse emprego do dinheiro esperam uma remuneração. Assim uma parte do lucro vai para re-investimento, que aumenta o capital tornando a empresa maior, e outra parte é distribuída aos investidores.

O conserto de equipamentos, a manutenção do prédio da sede, a repintura das paredes do escritório não saem do lucro e sim são apropriados como custos.

Por exemplo:
Você estabelece uma empresa para executar uma obra que:
      • Utiliza mão de obra terceirizada;
      • Contrata um escritório para fazer toda a administração, compra de materiais e acompanhamento da obra (eles se encarregam de tudo desde o computador até o papel para copiadora);
      • Aluga os equipamentos (betoneira, vibrador, caminhão, etc);
      • Contrata um engenheiro para gerenciar a obra.
    O lucro é o que sobrará no final após pagas todas as contas acima.
    A mensuração do custo varia de empresa para empresa, mas geralmente tem uma linha comum, como na execução de uma obra :
    • Custo dos materiais de emprego direto na obra inclusive impostos, fretes, seguros, etc.
    • Custo da mão de obra empregada (não se computa aqui o pessoal de chefia e administração da obra. Estes irão constituir um item do BDI);
    • Custo dos encargos sociais que incidem sobre a mão de obra;
    • Custo do fornecimento e operação de equipamentos ou aluguéis de equipamentos (todo equipamento próprio deve ser interpretado com alugado isto é deve receber remuneração, para que durante o uso se possibilite o conserto quando de eventuais quebras e sua reposição no final da vida).
    Os custos dividem-se em :
    • Custos previstos (aqueles que estimamos quando orçamos a obra).
    • Custos verificados (aquele que apropriamos durante a execução da obra)



    Alguns custos são verificados documentalmente:
    • Salários (pelos recibos, holerites, etc.)
    • Produtos e materiais adquiridos (pelas notas fiscais)
    • Locações de equipamentos (pelas respectivas faturas)
    • Impostos e taxas (pela legislação pertinente)

    Outros custos variam de empresa para empresa e dependem de critérios próprios de cada usuário. Por exemplo:
    • Os encargos sociais que incidem sobre os salários;
    • A taxa de Benefícios e Despesas Indiretas (BDI).
    • Despesas e Benefícios Financeiros (Recebimento antecipado se aplicado gera renda, compra antecipada gera emprego de capital antecipado que tem uma despesa financeira até o ressarcimento pelo cliente).
    • Equipamento próprio : os custos entram na composição pelo valor de locação de mercado ou deve ter composição própria?
    No próximo post vamos analisar os tipos de custos.



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