Lançamentos imobiliários crescem 10,3% em Curitiba, primeiro aumento desde 2011

By | terça-feira, dezembro 19, 2017 Leave a Comment
Dados do Perfil Imobiliário 2017 revelam ainda a produção imobiliária na capital paranaense entre os bairros da capital e municípios da Região Metropolitana.


O ano de 2017 foi o primeiro, desde 2011, a registrar aumento de lançamento em comparação com o ano anterior, contabilizando alta de 10,3% em empreendimentos (32 no total) e de 48,7% em unidades lançadas (2.244 no total), e as perspectivas para 2018 são de retomada do setor. Os dados são do Perfil Imobiliário 2017, estudo anual realizado pela Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi/PR) e pelo Sinduscon-PR, em parceria com a BRAIN Bureau de Inteligência Corporativa, que traça o panorama dos lançamentos imobiliários em Curitiba, geral e por região, e da Região Metropolitana.

Visão aérea Curitiba. Crédito : Divulgação
“Esse crescimento foi profundamente impactado por unidades de menor valor, incluídas no programa Minha Casa Minha Vida. Assim, pode-se dizer que houve consumo de imóveis em estoque em Curitiba. De cada 100 apartamentos disponíveis na cidade, 47 são de prontos. Entretanto, os alvarás liberados registraram queda de 30%, indicando que o construtor está cauteloso quanto aos lançamentos e ainda em fase de redução do estoque ”, analisa o presidente da Ademi/PR, Jacirlei Soares Santos. A Região Norte teve o maior número de alvarás para construção liberados em 2017 (687 unidades), seguida da Linha Verde (566 unidades) e da Região do Ecoville/Champagnat (458 unidades).

Os apartamentos novos com preços de R$ 215 mil a R$ 700 mil são os com a menor quantidade de imóveis para a venda em Curitiba em relação à oferta, da ordem de 20% (3.305 unidades). Entre os bairros, o Centro é o que detém a maior oferta lançada (3.494 imóveis), seguido de Ecoville (2.848 imóveis) e do Portão (1.898 imóveis). Juntos, esses bairros são responsáveis por 36% dos imóveis colocados à venda em Curitiba. O Capão da Imbuia não tem estoque de apartamentos novos, o Atuba tem apenas uma unidade e o São Lourenço tem duas, registrando os menores índices da cidade.

O preço médio do metro quadrado privativo para os apartamentos novos em Curitiba chegou a R$ 7.090,00 em setembro desse ano, alta de 5,7% em relação ao mesmo período do ano passado, bem acima da inflação, que ficou em 2,5%. O maior preço médio por metro quadrado privativo praticado em Curitiba é para os apartamentos novos de quatro quartos na Região do Batel (R$ 11.409,00) e o menor é para as unidades de dois quartos na Região Linha Verde (R$ 4.290,00).

Quanto aos itens que mais impactam na escolha do imóvel para compra em Curitiba, o sócio-diretor da BRAIN Bureau de Inteligência Corporativa, Fábio Tadeu Araújo, ressalta que segurança do empreendimento e do bairro estão no topo da lista, seguidos por localização e preço. “Isso está relacionado ao aumento da sensação de insegurança nos últimos anos por quem mora na cidade. Por isso, os novos empreendimentos devem priorizar esse item desde a concepção do projeto”, destaca.

Horizontais e RMC – Ao contrário do mercado de apartamentos novos, o presidente da Ademi/PR diz que os empreendimentos de terrenos e casas em condomínio fechado em Curitiba, assim como os lançamentos na Região Metropolitana de Curitiba, foram os que menos sofreram o impacto da recente crise econômica.

“Na Região Metropolitana, essa resiliência deve-se ao fato de o mercado ter como foco a habitação popular. Hoje, Fazenda Rio Grande é o município que absorve a demanda de Curitiba por habitações no Minha Casa Minha Vida, em função da inviabilidade de lançamentos na cidade pelo alto custo dos terrenos. Já no caso dos imóveis horizontais, essa menor volatilidade é a assegurada pela baixa oferta de imóveis para a venda em Curitiba”, avalia Soares.

Sr. Jacirlei Soares Santos . Crédito : Divulgação
Os dados do Perfil Imobiliário em 2017 revelam que, em termos de oferta, há uma equiparação na oferta de casas e terrenos em condomínio fechado em Curitiba. Entretanto, os lotes de terreno correspondem a 70% do mercado de imóveis horizontais na capital. 

Os bairros Santa Cândida (502 unidades), Tatuquara (286 unidades) e Santa Felicidade (285 unidades) são os que apresentam a maior oferta de terrenos em condomínio em Curitiba. Já os bairros Abranches (156 unidades), São Lourenço (140 unidades) e Uberaba (115) apresentam a maior oferta de casas em condomínio.

Na Região Metropolitana de Curitiba, os empreendimentos formados por apartamentos com preço até R$ 400 mil correspondem a quase 90% do mercado de lançamentos imobiliários (127 edifícios e 11.558 unidades). Os municípios de São José dos Pinhais (5.067 unidades), Campo Largo (3.040 unidades) e Colombo (1.262 unidades) são os que apresentam a maior oferta lançada de apartamentos novos e, respectivamente, o maior volume de imóveis em estoque.

Perspectivas para 2018 – O presidente da Ademi/PR, Jacirlei Soares Santos, acredita que há sinais importantes que devem promover a recuperação do mercado imobiliário em 2018, como a melhora da confiança empresarial, crescimento na economia e redução da taxa de juros, com reflexos no crédito ao consumidor e em captação de investimentos para o setor. “Acredita-se que parte da redução dessa taxa implicará em juros menores de financiamento imobiliário, expandindo o mercado. Alguns setores também dependentes de crédito, como o setor automobilístico, já mostram reação, atendendo uma demanda reprimida de consumidores”, opina.

Para Soares, o mercado residencial é o que deverá puxar a retomada, especialmente em Curitiba, “Tal fato se deve à dinâmica demográfica, muito forte na cidade, impulsionando a demanda residencial e mantendo uma certa demanda latente por habitações que sejam compatíveis com a renda e a necessidade e desejos da compra. Já no comercial, a recuperação está intimamente ligada a um maior aquecimento econômico e redução do estoque”, analisa.

Apesar dos bons indicadores do cenário econômico, o presidente da Ademi/PR diz que, por se tratar de um ano com eleições presidenciais, a política é que vai ditar o ritmo em 2018. “A exemplo de anos anteriores, nessa situação, a atitude mais previsível é de cautela. Cautela, não estagnação. Esse talvez seja o maior ensinamento recente para o mercado imobiliário: o setor opera em ciclos e, entre altas e baixas, existe toda uma área de transição permanente formada pelas pessoas e famílias que precisam de um lugar para morar”, argumenta.

BOX:

Regiões com o maior preço médio do m² privativo de apartamentos novos em Curitiba
  • 1 quarto – Região do Ecoville/Champagnat – R$ 8.289,00
  • 2 quartos – Região Central – R$ 8.052,00
  • 3 quartos – Região do Cabral – R$ 8.068,00
  • 4 quartos – Região do Batel – R$ 11.409,00
Regiões com o menor preço médio do m² privativo de apartamentos novos em Curitiba
  • 1 quarto – Região Norte – R$ 4.503,00
  • 2 quartos – Região Linha Verde – R$ 4.290,00
  • 3 quartos – Região Linha Verde – R$ 4.458,00
  • 4 quartos – Região Sul – R$ 7.272,00
Fonte: Perfil Imobiliário 2017 (Ademi/PR e Sinduscon-PR) - contato@memilia.com
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